Pedras, Cortes e Simbologias

Se o que pretende é ficar a saber um pouco mais sobre as pedras preciosas com que trabalhamos, respectivos cortes, avaliação, pedras do mês e respectiva simbologia, deixamos-lhe aqui algumas informações que esperamos possam acrescentar algo à sua curiosidade. 


Sobre o Quilate das Pedras

Quando na antiguidade, o homem, se deparou com a dificuldade em encontrar um Peso  Padrão que permitisse pesar as pedras preciosas, acabaria por  utilizada a semente da alfarrobeira (Quirat em Árabe). De quirat em árabe resultou o mais utilizado carat ou quilate em Português.

 

A razão dessa escolha prendeu-se com o simples facto de que, independentemente do número de sementes existentes por vagem de alfarroba, cada uma apresentar um peso constante que equivale a 0,2 gramas.  

 


Sobre os Diamantes


O diamante é o mais duro material de ocorrência natural que se conhece, isto significa que não pode ser riscado por nenhum outro mineral ou substância, exceto o próprio diamante. Funciona muitas vezes como um importante material abrasivo daí que muitas vezes seja utilizado em outro tipo de industrias que não a joalharia.

 

O seu valor para uso joalheiro, tal como o de todas as coisas, depende da oferta e da procura, mas está intrinsecamente ligado à sua classificação enquanto pedra de qualidade. O GIA (Gemological Institute of America) criou um padrão de classificação para tornar possível a comercialização do diamante globalmente. Esse padrão foi criado para classificar diamantes da escala de incolores à matizadas (levemente amarelado ou acinzentado), os diamantes coloridos naturalmente são mais raros e possuem classificação diferente.

A classificação GIA para a escala de incolor à matizada é baseada em 4 variáveis, a que em inglês chamam de 4 C´s (Carat, Color, Clarity e Cut) que em Português se traduzem em PESO, COR, PUREZA e LAPIDAÇÃO. É a combinação dessas variáveis que tornarão um diamante mais valioso que outro. Detalhemo-nos um pouco mais em pormenor:

 

Peso (Carat): A unidade de medida para pesar gemas é o Quilate (ct), em inglês Carat, 1 quilate equivale a 0,2 gramas. O preço de um diamante de 2ct é muito maior do que o de dois diamantes de 1ct, pois um diamante de 2ct é muito mais raro. Cada quilate é dividido por 100 pontos, portanto, cada ponto equivale a 2mgs. Portanto quanto mais pontos o diamante tiver mais valioso ele será.

 

Cor (Color): Existem diversas cores de diamantes, sendo a mais comum o de coloração amarela (atendendo à presença do nitrogénio). Quando se fala em diamantes puros fala-se de incolores ou transparentes e com o mínimo ou até ausência de inclusões, por isso, quanto mais puro fôr o diamante mais valioso ele será.

 

Confira a tabela de cores:

 

ABNT-IBGM

HRD

G.I.A.

Excepcionalmente incolor extra

Exceptional white +

D

Excepcionalmente incolor

Exceptional white

E

Perfeitamente incolor extra

Rare White+

F

Nitidamente incolor

Rare white

G

Cor levemente perceptível

Slightly tinted white

I

Cor perceptível

 

J

Cor levemente visível

Tinted white

K

Cor visível

 

L

Cor levemente acentuada a acentuada

Tinted colour

M, N a Z

Cor incomum ou extraordinária

Fancy colour

Z+

 

 

Pureza (Clarity): A classificação de pureza mensura a quantidade, o tamanho e as cores de inclusões internas e de características da superfície. Convencionou-se que essas características incluidas e superficiais, tem que ser vistas em uma lupa de 10x de aumento. Nesta variável, quanto menos melhor. F - IF - VVS1 - VVS2 - VS1 - VS2 - SI1 - SI2 - I1 - I2 - I3.

É esta a classificação de acordo com a pureza e incluções dos diamantes:

 

ABNT-IBGM

HRD

G.I.A.

Interna e externamente puro ao exame com equipamento
óptico a 10 aumentos.

LC
(Loupe Clean ou Puro à Lupa)

FL (Flawless)

Absolutamente transparente e livre de qualquer inclusão ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos.

 

IF (Internally Flawless)

Inclusão ou inclusões pequeníssimas e muito díficeis de serem visualizadas ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos.

VVS1 / VVS2
[Very Very Small Inclusion (s)]

VVS1 / VVS2
[Very Very Small Inclusion (s)]

Inclusões muito pequenas e díficeis de serem visualizadas
ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos.

VS1 / VS2
[Very Small Inclusion(s)]

VS1 / VS2
[Very Small Inclusion(s)]

Inclusões pequenas fáceis de serem visualizadas ao exame
com equipamento óptico a 10 aumentos e, geralmente, não visíveis a olho nu, através da coroa.

SI1 / SI2
[Small Inclusion(s)]

SI1 / SI2
[Small Inclusion(s)]

Inclusões evidentes ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos e difíceis de serem visualizadas a olho nu, através da coroa, não diminuindo a transparência do diamante.

P1
(Piqué 1)

I1

Uma inclusão grande e/ou algumas inclusões menores, fáceis de serem visualizadas a olho nu através da coroa,
diminuindo um pouco a transparência do diamante.

P2
(Piqué 2)

I2

Uma inclusão grande e/ou numerosas inclusões menores,
muito fáceis de serem visualizadas a olho nu através da coroa, diminuindo sensivelmente a transparência do diamante.

P3
(Piqué 3)

I3

 

Lapidação: É a acção do homem para tirar da gema bruta o melhor nessas 3 variáveis anteriores sem comprometer o brilho, o "fogo" e a vida do diamante. Entre as mais comuns contam-se:

- A brilhante - De formato redondo é a lapidação mais popular do diamante, a ponto de ser confundida com o próprio nome do mineral diamante. A lapidação brilhante, também conhecida como lapidação completa, foi projetada para que toda a luz que entre na gema seja refletida para cima fazendo com que o diamante brilhe ainda mais. Nesta variável, quanto mais brilho, mais fogo, mais vida melhor. Sem esquecer que o formato da gema também sofre impacto no seu preço pela procura, um diamante brilhante redondo pode ser mais desejado que um diamante de outro formato.


A fim de que se possa aperceber das variantes mais comuns de lapidação existente, junto enviamos-lhe em baixo uma tabela exemplificativa das mais usuais, se bem que algumas são mais comuns a uns tipos de pedras e praticamente não utilizadas noutros.



Sobre as Minas Novas

Segundo rezam as crónicas do tempo em que os Portugueses demandaram a outras partes e chegaram ao Brasil, a busca foi sempre orientada para a procura de riquezas, muito em particular a do ouro. Se nos primeiros tempos os rumores eram muitos e a concretização não tão abundante, a pouco e pouco foram surgindo focos concretos de descoberta de várias riquezas em pedras e ouro que confirmam hoje em dia o Brasil como sendo uma potência económica na área da mineração, em especial de pedras preciosas por via da riqueza geológica dos seus solos.

 

Com a criação dos "bandeirantes" essa demanda veio a revelar-se ainda mais concreta e organizada, já com regras muito concretas e definidas pela Coroa Portuguesa sobre a sua divisão e respectivo tributo (ver regra dos quintos). É nesse período que uma pequena localidade já existente sob outro nome veio a revelar-se ainda mais conhecida, em especial porque em relatos à Coroa é transmitida a existência de uma zona onde apareceram umas "minas novas". É daí que se diz retirado aquele que viria a ser o nome definitivo da agora localidade de Minas Novas e onde constam ter aparecido as primeiras pedras que viriam para Portugal e apelidadas de Minas Novas por anuência com o local de proveniência.

 

Na verdade e apesar de vulgarmente apelidadas de "minas novas" esse nome acabou por ser atribuído a todo um tipo de pedras que,em comum possuíam ausência de coloração e uma mesma tonalidade e brilho. O mais comummente trabalhado acabou por ser uma pedra natural vulgarmente conhecida como Cristal Rocha, ou tecnicamente apelidado de quartzo hialino.

 

Pedras com um brilho lindíssimo muito característico (claro e suave por contraponto com os diamantes que lapidados assumem um brilho mais intenso), foram das primeiras a prestar-se para serem usadas em lindíssimas jóias que começaram por fazer furor junto dos joalheiros da corte. Algumas ainda hoje permanecem em museus ou na mão de descendentes.

 

Hoje, com técnicas de fabrico melhoradas, já existem muito poucos artesãos a reproduzir modelos de outrora e a fabricar outros modelos mais actuais, mas que recriam na perfeição o encanto que só estas pedras e este tipo de trabalho permite. Por este motivo, possuir este tipo de jóias é também possuir algo que a distingue de todos os que optam por tanta jóia de produção em série.



Sobre as Zircónias

A Zircónia é tecnicamente conhecida como dióxido de zircônio que é um óxido de zircônio cristalino branco resultante do zircônio (que é um metal extraído do zircão). 


Também conhecida por zircónia cúbica, é uma pedra de laboratório que surge, essencialmente, da necessidade de criação de uma pedra sintética que tivesse características idênticas às dos diamantes e fosse bastante mais acessível. Por possuir todas estas características dificilmente consegue distinguir-se dos verdadeiros diamantes, necessitando tal análise de olhos mais treinados ou até recurso a instrumentos mais sofisticados de análise.


Com características de brilho, dureza e capacidade para suportar altas temperaturas, aceita ser fabricada com variações de cor o que a torna matéria prima indispensável à imitação de tantas outras gemas, tais como os topázios, ametistas, rubis, águas marinhas, etc.


Inicialmente tomado como parente pobre das pedras, começou por ser utilizada apenas em joalharia de prata mas acabou, por via da sua versatilidade, por ganhar um espaço próprio e a adornar jóias em ouro dos mais conceituados designers e fabricantes.




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